O significado da cruz nas cartas de Paulo, por Ana Helena Tavares
(Terceiro período de teologia - FAJE)
O significado da cruz nas cartas de Paulo faz lembrar um poema de Alexandre Herculano em que ele diz: “Amo-te, ó cruz, sobre o altar, onde, entre incensos, as preces te rodeiam. Amo-te quando festivamente as multidões te hasteiam”.
Assim, vemos que a cruz transcende seu sentido inicial de símbolo da morte. Tanto o poeta quanto o apóstolo proporcionam uma ressignificação da cruz, que passa a simbolizar redenção, vitória, transformação espiritual, esperança e, muito especialmente, amor absoluto.
No altar, ou levantada por multidões festivas, em vários cenários, lá está a cruz para o poeta. Ela está presente de forma constante, assistindo silenciosamente a vida que prossegue firme, apesar das dores. Ela é o sagrado que afronta o esquecimento e se faz memória perene. A cruz é adorada em sua desventura, mas também em seu aspecto mais glorioso, pois nela se revela um mistério maior que a própria morte.
São Paulo, com visão mística e o coração repleto de fé, vê a cruz de Cristo como o auge da kenosis — o esvaziamento do Filho de Deus, que "humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz" (Fl 2,8). Mas essa humilhação não é o fim: ela abre as portas para a exaltação e a ressurreição.
Nesse sentido, a vitória germina da cruz como uma flor que brota do asfalto improvável. E, assim, Paulo anuncia que, do mesmo modo que Cristo morreu e ressuscitou, todos os que creem também participarão dessa vida nova: "Deus há de levá-los em sua companhia" (1Ts 4,14).
O apóstolo nos ensina que é no esvaziamento, na humilhação e na dor que se manifesta a esperança indestrutível da ressurreição. Então, através da cruz, ele nos apresenta a base do mistério pascal: o amor vence no final e a morte não tem a última palavra.
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