Uma carta para Paulo, o apóstolo - Por Ana Helena Tavares

Texto escrito para a disciplina Escritos Paulinos - 3º semestre de Teologia - FAJE

Meu caro Paulo,

Escrevo esta carta para expressar minha identificação com algumas passagens de sua vida e lhe contar um pouco sobre minha conversão..

Você foi fariseu, você foi Saulo, e não enxergava Cristo. No Caminho de Damasco, chegou, de fato, a ficar cego. Mas converteu-se e encontrou a luz. Eu também, Paulo, embora criada numa família católica, não enxergava Cristo durante minha infância e adolescência. Jesus era apenas uma imagem no alto da parede dos templos. Era simplesmente alguém preso a uma cruz. Algo muito distante para mim.

Eu também precisei encontrar a conversão, Paulo. Os caminhos que me levaram a isso foram estradas brasileiras. Inicialmente, as que levam do Rio de Janeiro a Volta Redonda, depois a Goiânia e, logo em seguida, os caminhos de terra vermelha que levam à cidade de São Félix do Araguaia, norte do Mato Grosso. Foi por aí que conheci três bispos católicos, Waldir, Tomás e Pedro, que me apresentaram a Jesus.

Sei que você teve muitos pupilos, não é, Paulo? Lucas, por exemplo. Como médico, Lucas sabia bem que a mesma faca que pode ser usada para matar pode servir para salvar vidas. É assim também com a Bíblia que, quando mal usada, pode legitimar as piores crueldades. Você sabe disso, não é?

Assim como você aprovou a morte, por apedrejamento, de Estevão, o primeiro mártir cristão, porque na época, ainda se chamando Saulo, você era um judeu fundamentalista que lia o Antigo Testamento ao pé da letra, muitos praticam as piores atrocidades em nome de um Jesus desencarnado, separado da história humana. O fundamentalismo mata, ou, como você disse, a letra mata, não é mesmo?

Os bispos que citei, além de muitos(as) outros(as) religiosos(as) e leigos(as), tem me ajudado a compreender isso no dia a dia. Tenho buscado ler o mundo menos com olhar literal e mais com os óculos da Divina Ruah, o vento do Espirito.

Nem sempre é fácil, né? Você foi julgado e condenado injustamente. Mas, ainda assim, não desistiu de amar. Então, da mesma forma que você terminou sua primeira carta aos Coríntios, também termino esta carta. 

Que meu amor esteja convosco, em Cristo Jesus. 

Ana

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