Atrás de mim, o dilúvio - Brevíssima reflexão sobre tragédias socioambientais

Por Ana Helena Tavares

Sempre que acontece uma tragédia socioambiental como a que atinge atualmente o Rio Grande do Sul, parece que vejo Pedro Casaldaliga na minha frente respondendo à minha pergunta: o que têm na cabeça esses latifundiários?
Pedro: "O pensamento deles é: amanhã vamos ver, atrás de mim, o dilúvio".

A resposta de Pedro é uma tradução literal do pensamento do rei absolutista francês Luis XV ("apres moi le deluge").
 
Luis XV previa que brevemente a monarquia cairia, como de fato ocorreu, mas esperava que durasse enquanto fosse vivo.

Ou seja, ele acreditava que a queda da monarquia seria uma tragédia, uma calamidade, mas sentia-se tranquilo por ter certeza de que enquanto fosse vivo nada de mal o atingiria. É o pensamento de quem não sente a dor do outro e se acha intocável.

Assim pensam latifundiários, banqueiros e os grandes empresários capitalistas (muitos deles travestidos de políticos). Aqueles que se acham "donos do mundo" e não se preocupam em cuidar dos outros nem da própria casa, a natureza, criação amorosa de Deus.

Porque são incapazes de enxergar que se trata de uma Casa Comum e que seu desequilíbrio ameaça toda a vida no planeta.

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