É preciso provar a existência de Deus? - Uma reflexão sobre Descartes e Pascal

Texto escrito para a matéria - "História da Filosofia - Questão de Deus" - 1º ano de teologia na FAJE 2024

Aluna: Ana Helena Tavares

Se o vento bate no seu braço, você não o vê, mas você sente. A ciência prova que ele existe, mas precisava? Ainda que não provasse, você sente.

Se considerarmos que Deus se revela nas obras criadas - o vento uma delas - então concluiremos que Ele é sensorialmente perceptível, por exemplo: pela visão, quando se vê um arco-íris e não se compreende de onde ele saiu e até onde irá; pela audição, quando ouvimos um trovão e não conseguimos explicar totalmente aquele som. Ah, são fenômenos da natureza (como o vento). Mas quem criou a natureza?

René Descartes, autor da célebre frase "Penso, logo existo", buscava explicar absolutamente tudo - o vento, Deus, a natureza - a partir da racionalidade humana. No entanto, ele próprio admitia a imperfeição humana e, por isso, acreditava na existência de Deus. Em seu livro "Meditações sobre a Filosofia Primeira", ele apresenta as provas que encontrou dessa existência. Uma delas é o argumento que sugere que a ideia de um ser perfeito não pode existir na mente de um ser imperfeito como o homem, a menos que tenha sido colocada lá por um ser perfeito – ou seja, Deus. É um argumento que trabalha com o raciocínio lógico e Descartes não abria mão dele.

Já o filósofo Blaise Pascal, embora fosse um matemático e ainda que se situasse no contexto da filosofia racionalista, considerava a possibilidade do mistério. Percebia que havia coisas além do entendimento humano. Não por acaso foi ele o autor da famosa frase: "o coração tem razões que a própria razão desconhece". Com relação a Deus, do mesmo modo, ele também admitia que não era possível conhecer tudo. Através da chamada "aposta de Pascal",  ele argumentava que, se Deus não existe, o incrédulo não ganha nem perde nada por não acreditar. No entanto, se Deus existe, quem crê ganha infinitamente, enquanto o incrédulo perde infinitamente. Assim, ele orientava a todos a acreditarem, afinal não se perderia nada com isso.

Para quem sente o vento e crê que Deus mora ali, para quem acredita que Ele se encarnou em Jesus Cristo e hoje sente que Ele está em encarnado nas pessoas mais pobres e naquelas que sofrem, como Jesus sofreu, nem Descartes nem Pascal oferecem respostas. E possivelmente elas não sejam necessárias.


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